Mulher enviou áudio, em uma rede social, ofendendo vítima
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O episódio ocorreu no dia 6 de março, durante um evento voltado ao público feminino realizado na Câmara Municipal de Confresa. Na ocasião, o vereador participava como palestrante quando teve acesso a um áudio enviado pela investigada.
A gravação havia sido encaminhada por meio de uma rede social a um sindicato responsável pela organização do evento. No conteúdo, a ex-secretária criticava, de forma pejorativa, a escolha do vereador para palestrar, destacando o fato de ele ser um homem homossexual.
A administradora do perfil que recebeu o áudio discordou do teor da mensagem e decidiu encaminhá-la ao vereador. Após tomar conhecimento, o parlamentar apresentou o conteúdo ao presidente da Câmara, que interrompeu a sessão legislativa para denunciar o caso em plenário e solicitou a emissão de uma moção de repúdio.
INVESTIGAÇÃO
Após o ocorrido, o vereador procurou a Delegacia de Confresa e registrou boletim de ocorrência inicialmente por injúria mediante preconceito.
O delegado responsável pelo caso, Rogério da Silva Irlandes, conduziu as investigações, ouvindo a vítima, a suspeita e testemunhas. O áudio também foi apreendido e transcrito.
Segundo o vereador, a fala teve como objetivo atingir sua imagem pública e prejudicar sua atuação política. Ele afirmou ainda que o episódio causou abalo emocional, levando-o a buscar acompanhamento psiquiátrico e iniciar tratamento com medicação ansiolítica.
Já a investigada declarou que não teve intenção ofensiva ou política, alegando ter apenas expressado sua opinião pessoal. Ela afirmou estar arrependida e informou que foi exonerada do cargo após o caso vir à tona.
INDICIAMENTO
Ao final das apurações, a Polícia Civil concluiu que não houve o crime de injúria mediante preconceito, já que não foram identificados xingamentos diretos. No entanto, ficou caracterizado o crime de difamação qualificada.
De acordo com o delegado, a investigada atribuiu ao vereador uma condição considerada inadequada para participação no evento, em razão de sua orientação sexual, o que configura ofensa à reputação.
“A ofensa foi realizada por meio da internet, o que qualifica o crime de difamação”, explicou Rogério Irlandes.
O inquérito foi concluído em 12 dias e encaminhado ao Poder Judiciário. O caso agora será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.