Delegado diz que imagens afastam legítima defesa em caso envolvendo policial penal presa em Cuiabá

O delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que imagens de câmeras de segurança analisadas durante a investigação indicam que não houve legítima defesa por parte da policial penal Jorcelina Franca Viegas, de 46 anos.

A servidora foi presa preventivamente nesta terça-feira (5) e é investigada por tentativa de homicídio contra o entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, baleado no dia 22 de julho, em frente à residência da policial, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

Segundo o delegado, as imagens tiveram papel importante na decisão de solicitar a prisão preventiva da investigada.

“Nós representamos pela prisão dela e hoje demos cumprimento por homicídio tentado. Nas imagens ficou claro que não houve legítima defesa. Agora as investigações continuam”, afirmou Nilson Farias.

A prisão foi cumprida por equipes da DHPP. Conforme as investigações, Jorcelina teria efetuado disparos contra Carlos Filipe durante um encontro marcado para a devolução de um telefone celular.

De acordo com o relato apresentado pela policial penal, o caso começou quando a filha dela esqueceu o aparelho em um caixa eletrônico. O celular teria sido encontrado pelo entregador, que posteriormente passou a exigir dinheiro para fazer a devolução.

Ainda segundo a versão da investigada, durante as conversas, Carlos Filipe teria afirmado pertencer a uma facção criminosa e ameaçado entregar o aparelho a outras pessoas caso o pagamento não fosse feito. Diante disso, um encontro foi combinado em frente à casa da policial para que o celular fosse devolvido.

No local, Jorcelina sacou a arma e efetuou os disparos que atingiram o entregador pelas costas.

Inicialmente, a policial afirmou que teria reagido em legítima defesa porque Carlos Filipe tentou pegar sua arma. Entretanto, segundo a Polícia Civil, as imagens das câmeras de segurança não confirmaram essa versão e mostram que o homem não teria praticado nenhuma agressão contra ela antes dos tiros.

Carlos Filipe foi socorrido após ser baleado e encaminhado para atendimento médico.

Defesa contesta versão da investigação

A defesa da policial penal, representada pelo advogado Márcio de Deus, afirma que Carlos Filipe estaria envolvido como intermediário em um suposto esquema de extorsão relacionado à devolução do celular.

O advogado sustenta que um áudio enviado à policial registra um homem cobrando R$ 600 para devolver o aparelho e ameaçando divulgar informações pessoais que estariam armazenadas no telefone.

“A mídia divulgou tão somente o momento em que a policial penal defere alguns projéteis em direção ao entregador, contudo, esqueceu de publicar que a policial penal vinha sofrendo extorsão. Era uma situação de risco onde a policial penal trabalhou para que esse risco cessasse”, declarou.

A defesa afirma ainda que a presença do entregador no local para receber o dinheiro caracterizaria uma situação de flagrante de extorsão. Segundo o advogado, antes de realizar os disparos, a policial teria dado voz de prisão.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam. O objetivo é esclarecer todas as circunstâncias do caso antes da conclusão do inquérito.

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