A Polícia Federal deflagrou a Operação Fugazi para investigar um suposto esquema de fraudes em operações de crédito consignado que teria causado prejuízos a servidores públicos, aposentados e pensionistas em Mato Grosso. A ação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados.
Entre as empresas alvo da operação estão Capital Consig, Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.. Também são investigados os empresários Marcolino Medeiros Junior, Roberto Arduini Gomes Teixeira, Sven Stefan Padre Kuhn, Caspar Heinrich Menke, Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto.
Segundo a Polícia Federal, a Capital Consig é apontada como o principal núcleo do grupo econômico investigado. As apurações indicam que as empresas ofereciam aos consumidores um cartão de crédito consignado que, na prática, funcionaria como um empréstimo consignado, com juros elevados, descontos contínuos na folha de pagamento e mecanismos que dificultariam a quitação da dívida.
As investigações também apuram possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valores dos investigados.
A operação teve origem em denúncias apresentadas por sindicatos que representam servidores públicos de Mato Grosso. As entidades apontaram supostas irregularidades na comercialização dos consignados, como operações conhecidas como “tele saque”, ausência de cartão físico, falta de envio de faturas e descontos sucessivos que impediriam a redução da dívida dos clientes.
Com base nas denúncias, o Ministério Público Federal instaurou investigação conduzida pela Polícia Federal. Paralelamente, o Ministério Público Estadual também abriu procedimento para apurar possíveis práticas abusivas contra servidores públicos.
Em nota, a Capital Consig afirmou que recebeu a operação com surpresa e considerou a medida desnecessária e desproporcional. A empresa declarou que cumpre todas as normas aplicáveis ao setor, é fiscalizada pelo Banco Central, realiza auditorias periódicas e está colaborando com as autoridades, colocando à disposição todos os documentos solicitados. A instituição também informou que continuará operando normalmente e reafirmou seu compromisso com clientes, parceiros e colaboradores.
Fonte: Gazeta Digital
Por Pablo Rodrigo | Gazeta Digital



