
Luiz Antônio Pagot comandou o Dnit nos governos Lula e Dilma, foi condenado em primeira instância por improbidade em caso envolvendo contratos do departamento e mantém relação política com Pivetta há anos
O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) tem utilizado relações de adversários com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) como alvo de críticas durante a campanha. Ao mesmo tempo, mantém em seu próprio núcleo político Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do órgão e condenado em primeira instância por improbidade administrativa em um processo relacionado a contratos do departamento.
Em declarações recentes, Pivetta chegou a afirmar que políticos que “mandavam no Dnit” teriam utilizado a estrutura do órgão para “roubar o povo mato-grossense”. Pagot, porém, comandou formalmente o Dnit entre 2007 e 2011 e hoje integra a estrutura política montada para a campanha de reeleição do governador.
Questionado sobre o histórico do aliado e sobre a aparente contradição entre as críticas dirigidas aos adversários e a presença de um ex-diretor do Dnit em sua própria campanha, Pivetta não comentou os episódios apresentados. Afirmou desconhecer o histórico mencionado e, na sequência, mudou de assunto.
A relação entre Pivetta e Pagot não começou nesta eleição. Os dois acumulam agendas e vínculos políticos documentados há anos, inclusive durante o período em que Pagot estava à frente do Dnit.
Em outubro de 2009, quando Pivetta exercia mandato de deputado estadual, os dois estiveram juntos em Lucas do Rio Verde para acompanhar obras e discutir projetos relacionados à Travessia Urbana e à duplicação da BR-163.
Poucos meses depois, em janeiro de 2010, Pivetta voltou a integrar uma comitiva liderada por Pagot. O grupo percorreu a BR-163, partindo de Lucas do Rio Verde em direção a Santarém, no Pará, para acompanhar serviços de manutenção, restauração e pavimentação da rodovia.
Os vínculos políticos são ainda anteriores. Pagot ocupou cargos de primeiro escalão durante os governos de Blairo Maggi em Mato Grosso, passando pelas secretarias de Infraestrutura, Casa Civil e Educação. Pivetta também integrou a administração Maggi, como secretário de Desenvolvimento Rural.
A proximidade continuou após aquele período. Em abril de 2024, Pivetta e Pagot participaram da Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis, em uma agenda voltada ao desenvolvimento, agronegócio e infraestrutura.
Já em 2026, Pagot passou a integrar diretamente o projeto eleitoral de Pivetta, sendo incorporado ao núcleo político da campanha à reeleição.
Discurso contra o Dnit
A presença de Pagot na campanha ganha relevância diante das declarações feitas pelo próprio governador.
Em março, durante evento realizado em Rondonópolis, Pivetta afirmou que políticos que “mandavam no Dnit” teriam utilizado o departamento para “roubar o povo mato-grossense”. Na ocasião, não mencionou Pagot.
O atual aliado do governador, no entanto, esteve à frente do Dnit durante quatro anos.
Indicado para o cargo durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pagot permaneceu no comando do departamento nos primeiros meses da gestão de Dilma Rousseff. Deixou o posto em 2011, em meio à crise que atingiu o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção e irregularidades envolvendo estruturas vinculadas à pasta.
Pagot sempre negou participação em esquemas de corrupção e o recebimento de propina.
Condenação por improbidade
Em outubro de 2025, a Justiça Federal em Rondônia condenou Pagot, em primeira instância, por atos de improbidade administrativa relacionados a irregularidades em contratos para obras da BR-429 durante o período em que comandava o Dnit.
O processo envolve os contratos nº 674/2009 e nº 675/2009, celebrados entre o departamento e a Fundação Ricardo Franco.
Segundo a sentença, foram identificadas irregularidades como dispensa indevida de licitação, contratação apesar de parecer jurídico contrário, pagamentos sem comprovação adequada e terceirização do objeto contratado.
A decisão é de primeira instância e não é definitiva.
Pagot também já foi responsabilizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em processo envolvendo as obras do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, recebeu multa de R$ 20 mil. O valor foi posteriormente recolhido e o tribunal concedeu quitação.
Outro episódio envolvendo sua passagem pelo Dnit foi reconhecido pelo próprio ex-diretor.
Em depoimento à CPMI do Cachoeira, em 2012, Pagot admitiu ter agido com “falta de ética” ao procurar empresas para solicitar doações destinadas à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010.
Na ocasião, afirmou ter procurado entre 30 e 40 empresas e estimou que as contribuições poderiam alcançar aproximadamente R$ 6 milhões. Pagot sustentou que as doações eram legais e negou qualquer contrapartida relacionada a contratos ou benefícios concedidos pelo Dnit.
Decisões favoráveis
O ex-diretor também obteve decisões favoráveis em outros processos.
Uma condenação por improbidade relacionada à licitação de um posto policial na MT-251 foi posteriormente afastada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Na esfera criminal referente ao mesmo episódio, Pagot foi absolvido.
Agora, o ex-diretor do Dnit volta a dividir o mesmo projeto político com Pivetta, desta vez dentro da estrutura organizada para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.
A relação entre os dois atravessa diferentes momentos: passa pelo governo Blairo Maggi, pelas agendas conjuntas realizadas enquanto Pagot comandava o Dnit, por encontros públicos nos anos seguintes e chega à campanha eleitoral de 2026.
Enquanto Pivetta utiliza o Dnit para questionar o histórico político de adversários, Pagot permanece em seu núcleo de campanha.
Questionado especificamente sobre essa relação e sobre os episódios envolvendo o aliado, o governador não respondeu aos casos apresentados e mudou de assunto.



