Scheila Pedroso defende habitação como política de dignidade e desenvolvimento urbano

Arquiteta e urbanista, ex-secretária municipal afirma que acesso à casa própria precisa estar integrado a políticas de assistência social, saúde, educação, mobilidade e planejamento das cidades

A arquiteta e urbanista Scheila Pedroso defende que as políticas públicas de habitação sejam tratadas para além da construção e entrega de casas e passem a considerar também as condições necessárias para garantir dignidade, segurança e qualidade de vida às famílias.

Com trajetória profissional e pública ligada às áreas de habitação, assistência social e planejamento urbano em Sinop, Scheila afirma que a experiência no atendimento às famílias mostrou que a falta de moradia adequada produz impactos que ultrapassam a ausência de um imóvel.

Ao longo dos anos, ela acompanhou situações de famílias vivendo em áreas de risco, estruturas improvisadas, imóveis cedidos por terceiros e mulheres responsáveis pelos filhos sem a segurança de possuir um lugar que pudessem chamar de seu.

Para Scheila, é justamente essa realidade que precisa estar no centro da formulação das políticas habitacionais.

“Existe uma diferença enorme entre morar e ter onde morar. Ninguém sonha com uma unidade habitacional. As pessoas sonham com uma casa, com um quarto para os filhos, com uma cozinha e com a segurança de saber que aquele espaço pertence à família”, afirma.

Habitação precisa estar ligada à estrutura da cidade

A experiência na área também levou Scheila a defender que programas habitacionais não sejam planejados de forma isolada.

Segundo ela, garantir moradia exige pensar simultaneamente em terreno, infraestrutura, regularização fundiária, abastecimento de água, energia elétrica, transporte, escolas, unidades de saúde, oportunidades de trabalho e planejamento urbano.

“Construir uma casa sem pensar na cidade que existe ao redor dela também é uma forma de abandonar uma família. Moradia conversa com assistência social, saúde, educação, mobilidade, emprego e segurança pública”, destaca.

Na avaliação da arquiteta, o acesso à casa própria também modifica a relação das famílias com o futuro, especialmente entre aquelas que passaram anos pagando aluguel, vivendo de favor ou enfrentando situações de insegurança habitacional.

Scheila relata que uma das experiências mais marcantes de sua atuação foi acompanhar famílias no momento em que recebiam uma moradia.

“Para a administração pública, muitas vezes aquilo aparece como processo, matrícula, projeto ou contrato. Para aquela família, representa o fim de uma espera de muitos anos. É o lugar onde os filhos vão crescer, onde vão comemorar aniversários e onde aquela família começa a construir uma nova história”, afirma.

Crescimento das cidades amplia desafio habitacional

O avanço econômico e populacional das cidades de Mato Grosso também aumenta, segundo Scheila, a necessidade de políticas habitacionais associadas ao planejamento urbano.

Novos empreendimentos, bairros e investimentos ampliam as oportunidades, mas também pressionam a infraestrutura e aumentam a demanda por moradia, serviços públicos e mobilidade.

Para ela, o desenvolvimento de uma cidade não deve ser medido apenas pelo crescimento econômico ou pela expansão urbana, mas também pela capacidade de garantir condições dignas de vida para a população.

“Uma cidade só pode dizer que está verdadeiramente crescendo quando as pessoas que ajudaram a construí-la também conseguem encontrar nela um lugar para viver com dignidade”, afirma.

Scheila Pedroso construiu parte de sua trajetória profissional e pública em Sinop e já ocupou cargo de secretária municipal, com atuação nas áreas de habitação, assistência social e planejamento urbano. Também esteve envolvida na implantação e ampliação de projetos habitacionais e iniciativas de regularização fundiária no município.

Atualmente candidata a deputada estadual por Mato Grosso, Scheila coloca a habitação e o desenvolvimento urbano entre as pautas defendidas em sua atuação.

Para ela, o impacto de uma política habitacional pode ser resumido em um momento aparentemente simples: quando uma família recebe as chaves e passa a ter, finalmente, um endereço próprio.

“Desenvolvimento também é aquilo que acontece quando alguém coloca a chave na fechadura e, talvez pela primeira vez na vida, pode dizer: ‘Essa casa é minha’.”

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